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Bater Perna, Europa, Experiência, Fotografar

Dicas das Ilhas Faroé: o que você precisa saber

As Ilhas Faroé têm um governo autônomo, mas subordinado à Dinamarca. No entanto, quem precisa de visto para os países do acordo Schengen precisa de um visto especial para ir para o arquipélago. Ainda bem que é uma formalidade pela qual nós, brasileiros, não precisamos passar…

O Aeroporto Vágar (FAE) fica na ilha de mesmo nome, uma ilha diferente de onde fica localizada a capital. Construído pelos ingleses durante a Segunda Guerra Mundial, é tão pequeno que se você ficar no meio do saguão, é possível ver as duas pontas. A pista igualmente curta obriga os pilotos a fazerem uma volta para taxiar. Como o meu voo chegou de Edimburgo, ganhei um carimbo na chegada. Mas só fiquei com esse souvenir no passaporte, pois na volta, como o meu voo atrasou muito e acabou decolando depois da meia noite, não tinha ninguém de plantão na migração. “Não há migração nesse horário” – palavras da funcionária do aeroporto. Em choque, fiquei pensando se há outros aeroportos onde a migração não funciona 24 horas por dia…

01 Faroe Islands Passport Stamp

O aeroporto é minúsculo, porém moderno e funcional. Não é preciso muito, uma vez que Atlantic Airways é a única companhia que voa para as Ilhas Faroé.

02 Aeroporto Ilhas Faroé

03 Aeroporto Ilhas Faroé

Dicas Ilhas Faroé

É do aeroporto também de onde saem os helicópteros que encurtam as distâncias entre uma ilha e outra. Os preços são bem convidativos, mas é preciso ter sorte, pois os assentos se esgotam rapidamente (a reserva também deve ser feita pela página da Atlantic Airways). Eu mesmo não consegui um lugar em nenhuma das vezes, para meu desgosto, pois aposto que a viagem de helicóptero deixa qualquer um boquiaberto durante todo o trajeto.

05 Ilhas Faroé

Para sair do aeroporto, as suas opções são alugar um carro, pegar um ônibus ou compartilhar um táxi. O taxista cobra por pessoa e não por corrida. Assim que se você estiver viajando em dupla, cada um vai ter que desembolsar 200 coroas dinamarquesas. Eu não achei muito justo, mas…  O horário do ônibus é cronometrado com as partidas e chegadas e é uma opção bem mais em conta. É possível pagar a corrida com cartão de crédito, tanto do táxi quanto do ônibus. Antes de sair do aeroporto, não se esqueça de passar no Centro de Informação ao Turista e pegar um livreto com informações sobre as trilhas. O guia também está disponível no Centro de Informação da capital, porém, quiseram me cobrar por ele lá. Se você quiser se planejar com antecedência, sugiro olhar a versão online disponível na página Visit Faroe Islands.

A rodoviária é a última parada do ônibus que faz o trajeto aeroporto-Tórshavn. Localizada do lado de onde saem e chegam os barcos da empresa Smyrill Line, a rodoviária fica a uma curta distância de vários hoteis, menos de onde me hospedei. Fiquei hospedado no Kerjalon, que na verdade é um albergue do Hotel Føroyar. Ponto para o hotel, que teve consideração com os turistas menos abastados. A grande vantagem de se hospedar no albergue é poder cozinhar a sua própria comida, o que barateia a aventura por aquelas terras com preços escandinavos. A comida é bastante cara nas Ilhas Faroé então, leve isso em consideração. Os quartos são limpos e durante 4 dias dos 8 em que estive lá, eu fui o único hóspede no quarto compartilhado – onde mais você consegue esse luxo em um albergue? A grande desvantagem desse albergue e do hotel, ao meu ver, é que ele fica longe da rodoviária e no topo de uma colina. Isso significa uma caminhada de 20 minutos colina a cima. Pode parecer moleza, mas pense que você acaba de chegar de uma longa caminhada.

Tórshavn (pronuncia-se Tôrshaun) é uma cidade bem compacta, a ponto de ser possível fazer tudo a pé. Apesar disso, a linha de ônibus número 1 é gratuita. Confesso que não peguei esse ônibus, pois acho mais fácil me orientar caminhando. O transporte entre as ilhas que formam o arquipélago se dá por ônibus, helicóptero, balsa e barco. As quatro maiores ilhas (Vágar, Streymoy, Eysturoy e Borðoy) são conectadas por terra, entre pontes e túneis que passam embaixo do oceano. O túnel que liga a Ilha de Eysturoy a Borðoy conta com um fabuloso espetáculo de luzes inspirado na aurora boreal. Se você tiver optado por viajar durante os meses em que nunca escurece de fato, talvez esse espetáculo artificial te inspire a querer voltar para ver a verdadeira aurora.06 Tórshavn


07 Tórshavn

Para poder andar pelas ilhas, o recomendável é verificar o horário dos ônibus e balsas na página www.ssl.fo. Esse é o grande segredo: imprima ou anote em um caderninho e leve consigo. Planeje de tal maneira para que você chegue sempre para pegar o penúltimo ônibus. Assim, se o seu meio de transporte anterior atrasar, você não terá que acampar uma noite no ponto de ônibus. Bem, conheci um casal que recorria a caronas para viajar. É seguro, mas imprevisível, e eu suponho que seja uma opção viável.

Há um passe que dá direito a andar livremente de ônibus e barco / balsa. Aconselho a comprar caso você faça as contas e os trajetos que irá percorrer saiam mais caros se comprados separadamente (os preços por trajeto estão disponíveis em www.ssl.fo). Os valores são 700 DKK (passe de 7 dias) e 500 DKK (passe de 4 dias) e o passe pode ser adquirido na rodoviária de Tórshavn.

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O quadro de horário na rodoviária pode parecer meio indecifrável, mas calma. Para entender o esquema do horário, tenha em mente que x equivale aos dias da semana. O número 6 é para sábado e 7, domingo. Ou seja, no exemplo abaixo, o horário do ônibus que faz o trajeto Sørvágur-Mykines é o mesmo em todos os dias da semana: ele sai de Sørvágur às 10:20 e faz o caminho inverso saindo de Mykines às 11:05. Por sua vez, para sair de Tórshavn, é preciso pegar o ônibus às 09:05.

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A minha maior dificuldade ao planejar esta viagem foi encontrar informação na internet. Visit Faroe Islands é basicamente a única fonte de informação que existe, mas não me dei por satisfeito com o que encontrei ali e, portanto, decidi que tiraria o primeiro dia na capital para planejar tudo depois de passar no Centro de Informação ao turista. Não tive muito sucesso nessa empreitada: a atendente não estava muito interessada em trabalhar – reclamação recorrente de cada 10 entre 10 turistas que eu encontrei no caminho. Reza a lenda que esse turista ainda está esperando pela informação que solicitou.

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A página oficial do órgão de turismo era meio vaga no tipo de atividades que poderiam ser feitas. Eu buscava passeios prontos, mas nada me satisfazia. Eu imaginei que haveria muitos passeios do tipo que fiz para ver as colônias de puffins, mas esse foi o meu maior erro, pois não há. Na verdade, praticamente tudo nas Ilhas Faroé é no sistema faça você mesmo. Trilhas. Há algumas operadoras de turismo que fazem alguns passeios guiados, mas os preços são estratosféricos e, sinceramente, eu não recomendaria. Essas operadoras focam em pacotes saindo da continente para as Ilhas Faroé. E de qualquer forma, não há necessidade de contratar nenhum intermediário, pois a infraestrutura é ótima e planejando bem, é possível chegar a qualquer lugar. Não se esqueça de que, se você estiver viajando sozinho e fizer trilha, deixe sempre alguém avisado sobre o seu roteiro.

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A moeda usada nas Ilhas Faroé é a coroa dinamarquesa, mas não precisa sacar dinheiro se você optar pelo passe livre, pois todos os lugares, com exceção do transporte público, aceitam cartão. A única exceção a essa regra é o ônibus que faz o trajeto de e para o aeroporto – este, sim, aceita dinheiro de plástico.

Os deuses nórdicos são temperamentais e imprevisíveis. Peguei neve (em maio, gente!), chuva e sol. Só não peguei erupção vulcânica porque não tem vulcão lá. Vá preparado com roupas de frio e à prova d’água. Mas pode deixar o guarda chuva em casa, os ventos daquela terra são indomáveis e o seu equipamento provavelmente não resistiria à primeira rajada.

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Por fim, saiba que as Ilhas Faroé têm o seu próprio ritmo, quase como uma pequena cidade do interior (o “pequena” aqui não é pleonasmo). O comércio fecha cedo durante a semana e não espere muito no domingo, quando praticamente tudo fecha. O shopping center SMS pode ser o seu refúgio nessa hora. Que tal ir atrás do simplismo do design escandinavo? E se compras são o seu forte, não deixe de passar na Tutl Records para comprar um CD de uma banda qualquer de música faroesa. A atendente me fez me sentir em casa (com chá e tudo mais) e fez questão de me mostrar um monte de títulos dos quais nunca tinha ouvido falar.

Via de regra, os horários de ônibus e barcos também são reduzidos no final de semana.

Uma das coisas que eu mais gostei nas Ilhas Faroé é que ainda se trata de um destino pouco turístico. Se por um lado, isso ressaltou a minha condição de forasteiro (sabe o estereótipo da pessoa com câmera pendurada no pescoço?), por outro, confirmou de vez que às vezes, é reconfortante passear por lugares onde o único idioma que os nossos ouvidos captam é o do lugar onde estamos. Mas corra se você quer aproveitar o fato de que as Ilhas Faroé ainda são quase desconhecidas, pois as ilhas foram escolhidas em 2015 pela National Geographic como um dos destinos mais promissores. A previsão é de que chovam turistas lá!

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  • Felipe SQ

    Muito obrigado pelas informacoes! De fato tem sido dificil planejar a viagem para la pela internet. As paisagens sao lindas! Com certeza vou incluir na minha lista de viagens futuras!