09
mar
Europa, Experimentar, Fotografar

Bristol e Banksy

Visitar Bristol não foi uma escolha por acaso. Havia comprado o livro Banksy, Guerra e Spray e assistido ao documentário Exit Though the Gift Shop quando decidi visitar a cidade natal do polêmico grafiteiro/artista quando pisasse novamente na Europa. “Pisasse novamente na Europa”… ô saudade do tempo que a libra a 3,80 era cara… Pensar em libras é sempre um empecilho para viagens ao Reino Unido, mas minha paixão/fixação por Banksy e todo o movimento StreetArt que havia revolucionado a cidade falavam mais alto.

Passei exatos 3 dias lá, chegando de um voo direto de Amsterdã. Entrar não foi fácil, e confesso que não entendi a quantidade de questionamentos que tive que responder na imigração. Talvez por estar viajando sozinha, talvez por um momento de crise mundial e de eu correr riscos de largar meu país tropical por oportunidades melhores lá fora… Não sei. Só sei que tive que falar o que faço e converter meu salário para libras para explicar quanto ganho por ano, além de mostrar passagem de volta, contar a missão da empresa em que trabalho, etc.

Chegando a Bristol, troquei alguns dinheiros no próprio aeroporto e segui para a cidade pelo ônibus que leva até muito próximo do YHA Hostel em que me hospedei. A localização é bastante central e não precisei pegar táxi para absolutamente nada.

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Peguei um friozinho de fevereiro bastante agradável e saí para passear e conhecer o legado de Banksy na cidade. Há um aplicativo próprio para isso – Banksy Bristol Tour. Além disso, reservei meio dia de tour guiado pela cidade com a empresa Where the Wall (bem mais completo, por sinal).

No primeiro dia explorei a cidade e tentei achar o grafite mais próximo do albergue que o aplicativo indicava ser no navio ancorado no porto, chamado Thekla Grim Reaper. Frustrada por não ter encontrado o grafite, apenas o navio, segui para o Wall Hanger, localizado em frente à prefeitura. Ali, antes, Banksy havia grafitado uma obra famosa em um dos chafarizes, mas a prefeitura a retirou em poucos dias. Por conta disso, Banksy se tornara o inimigo número 1 da cidade, exatamente como me parece ter sido o que ele havia planejado: tornar-se uma espécie de anti-herói idolatrado por muitos e odiado especialmente pelas autoridades da cidade.

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Wall Hanger fora pintado em 2006 e conta uma história interessante. Além de ele manter uma janela pintada exatamente como as janelas do prédio, dizem por aí que a mulher adúltera do grafite seria a mulher de Banksy, e o amante pendurado, um dos colegas da equipe de Banksy. Apesar do respeito que existe entre artistas de rua com obras alheias, esta foi hostilizada e, em represália, tento nela balões de tinta azul atiradas.

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Assim como vários museus no Reino Unido, o de Bristol não é diferente e também conta com entrada gratuita. As obras não são muitas, mas seu movimento é significativo por conta de uma famosa, chamada The Angel Pot, deixada por Banksy na exposição de 2008, que tirou Bristol do anonimato e a trouxe ao mundo da arte por conta de uma intervenção dele próprio no museu. Soube por fontes confiáveis que para que a exposição acontecesse, a curadora do museu à época precisou confiar as obras e tudo mais que existe lá dentro a uma equipe não conhecida que traria Banksy em pessoa para grafitar no museu. É óbvio que quando se fala de segurança de obras de arte do século XVII tudo fica mais difícil, e a curadora falou que só deixaria isto acontecer se ela mesma fechasse com o próprio Banksy. É claro que isto não aconteceu: o sonho da polícia britânica e da curadora, de um dia vê-lo pessoalmente, não seria fácil de realizar. Mesmo assim, a exposição aconteceu com as regras impostas pela equipe do artista e a curadora, que arriscou sua carreira entregando a chave de um museu a um grupo de grafiteiros, recebeu em troca 3 horas de fila diárias para ver a exposição além do agradecimento do próprio autor, que grafitou Thanksy. Falando em dinheiro aos céticos que acham que isso tudo se trata apenas de pixação, este evento trouxe à cidade 2 milhões de libras em receitas diretas de turismo, e deu força ao movimento See no Evil em 2011, que atraiu 45 grafiteiros famosos de todo o mundo, 50 mil pessoas e diversos grafites em 3 ruas do centro da cidade.

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Aqui estão os meus registros do legado de Banksy e de muitos outros grafiteiros famosos pela cidade:

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