25
fev
Comer, Europa

Onde jantar trufas em Roma

Não sou fã de cogumelos, do shimeji ao champignon. Já os provei, mas eles não mexeram comigo nenhuma vez. Mesmo assim, dentro de mim, havia a controversa vontade de provar trufas, brancas ou negras. Ambos os tipos – o primeiro sendo mais raro e logo mais caro – são largamente encontrados na Itália e na Croácia, especialmente entre os meses de agosto e setembro, períodos de suas supersafras. Visitar estes países nesta época do ano era um excelente pretexto que eu tinha para provar tal iguaria. Na Itália, um amigo me indica um restaurante que fora recomendado por outro amigo. Chama-se Osteria Barberini, localizado no miolinho concorrido do centro de Roma, disputado a tapas por restaurantes e gelaterias turísticas. E o chamariz era tentador: há trufas brancas! Se isto é verdade, então é pra lá que eu vou.

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Em uma modesta porta da rua perpendicular a movimentada Piazza Barberini encontra-se o tal restaurante, condecorado com adesivos de diversos críticos gastronômicos e selos que atestavam que os turistas haviam gostado do lugar. Apesar disto, não se tratava de um ponto turístico, mas de um exclusivo e acessível restaurante no centro da cidade, e que só aceita clientes com reservas antecipadas.

Feita a reserva, volto no dia seguinte com a fome preparada para tudo que houvesse com tartufos no lugar, e chego pontualmente às 21h00 à osteria, onde sou atendida pelo atencioso dono (que me tratava pelo nome) e seus dois garçons que dão conta, com excelência, das 20 mesas do local. Entrada? Claro: bruschettas de trufas negras para abrir o apetite e meia garrafa do italiano Chianti, recomendado pessoalmente pelo dono.

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As trufas me envolvem em seu aroma característico, diferente de tudo que já havia sentido.

São cogumelos que não são shitake e fungos que não estão no gorgonzola. São trufas. São únicas. E seduzem pelo aroma que aguçam o paladar. Me envolvo na atmosfera intimista do restaurante ao som de Tom Jobim, fito-as e abocanho o primeiro pedaço que misturava o maravilhoso gosto das trufas ao aroma tentador de não querer parar de comer.

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Finda a entrada, chega meu primo piatto. O tão esperado risoto de trufas brancas. Risoto pra mim é como sexta-feira: pode ser ruim que é bom de qualquer jeito. E este era especial. Quase tremo de emoção na pré-primeira garfada, fecho os olhos para que todos os sentidos sejam envolvidos e – nham – o queijo, o arroz, o azeite, o vinho branco e as trufas são misturadas em uma mágica que só no filme Ratatouille vi acontecer. Acho que chorei. Sem nenhum exagero, era o melhor prato de risoto que havia comido na minha vida. Tão bom que só acabou em 58 garfadas, tamanho o medo de que ele chegasse ao fim.

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E não acabava por aí: o segundo prato, um tagliolini al tartufo bianco de frescas trufas raladas sob a massa deixava para trás toda e qualquer massa que havia provado, inclusive na própria Itália. Massa al dente de perfeito equilíbrio dos temperos, queijo e trufas que, aliás, nunca são demais. Era hours concour. E também estava no páreo.

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E assim estabeleço um laço afetivo eterno com as trufas, que prometo não romper nem mesmo que um dia Alex Atala ofereça sua obra prima a mim, recém-criada e nunca apresentada ao mundo glutão.

Osteria Barberini
Endereço: Via della Purificazione, 21 – Roma, Itália
Telefone: +39 06 474-3325
Aceita Visa, Mastercard, Diners, American Express e Sodexo (internacional)
Aberto de terças a domingo, somente no jantar
www.osteriabarberini.com
Preço: $$