01
fev
Europa, Experimentar

Christiania, a sociedade alternativa da Dinamarca

Copenhagen Christiania-5Um portal de madeira talhado a mão e uma bandeira vermelha com três bolas amarelas no centro – e gasta nas pontas por conta do vento – marcam a entrada à comunidade autônoma de Christiania, no bairro de Christianshavn, a poucos minutos de caminhada do centro de Copenhagen.

Fundada nos anos 70 por hippies em protesto ao capitalismo que se instalava na Europa pós Segunda Guerra, Christiania, conhecida como Cidade Livre, é considerada a maior comunidade anarquista do mundo, e sobrevive nos dias de hoje com o aval do parlamento dinamarquês interessado em acompanhar o “experimento social” de uma comunidade livre e dirigida por regras próprias e democracia do consenso.

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Christiania é hoje ocupada por quase 1000 pessoas que não pagam aluguel e não visam lucros em seus negócios, vivendo do que o trabalho e a natureza dão em 34 hectares de uma antiga base militar desativada. Chegar é fácil, encontrá-la é quase um acaso. Copenhagen é uma cidade plana, de quase nenhum prédio alto, ressaltando seus poucos pontiagudos pontos turísticos, sendo um deles, a Vor Frelsers Kirke, a linda igreja escandinava de domo espiral dourado, localizada a um quarteirão da entrada principal de Christiania. A partir deste quarteirão é fácil notar que algo mais artístico está por vir. Grafites e pôsteres (um deles que inclusive arranquei para transformar em um quadro para a minha casa) distinguem a região do resto da cidade, restando em comum apenas suas bicicletas.

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A liberalidade de Christiania atraiu artistas, escritores, hippies e pensadores, mas também foi porta para o consumo desenfreado de drogas nos anos 90 e 2000, fazendo da comunidade um problema sério para o governo dinamarquês. Apesar da polícia dinamarquesa quase não intervir em Christiania, foi preciso agir e criar regras claras explícitas em placas pela cidade de proibição ao uso de drogas pesadas. Fotografar e correr também são proibidos, especialmente na Pusher Street, onde, mesmo que não liberado na Dinamarca, há venda de maconha e haxixe em pequenas barracas cobertas por tendas camufladas militares.

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Fazer parte de Christiania requer um longo processo seletivo, onde a aceitação é feita por todos os moradores da comunidade, da mesma forma em que é feita a manutenção das ruas e hortas do local. A cobrança de aluguel é proibida, assim como a posse de propriedade privada, cabendo a expulsão ou desistência de algum morador para a abertura de uma vaga para se morar.

Nota sobre a anarquia: esta bike, abaixo, é fabricada em Christiania e utilizada por quase todo dinamarquês com filho pequeno, incluindo a Princesa da Dinamarca.

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