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jan
América do Norte, Bater Perna

9/11 Memorial and Museum

Onde você estava no dia 11 de setembro de 2001? A fatídica data do Século XXI em que o mundo parou para assistir com olhos atônitos a um ato de covardia sem igual. Eu me lembro bem daquele dia de setembro. De cada detalhe. Eu me lembro dos repórteres cobrindo cada fato novo, das imagens chocantes de pessoas cuja única salvação era pular para a morte certa, dos vídeos caseiros que se seguiram, das imagens de anônimos olhando para aquelas colunas prestes a ruir – sem saber que os prédios construídos para serem os maiores do mundo iriam tombar. E tenho certeza de que o dia também ficou marcado na sua memória. Cada segundo daquele dia que mudou as nossas vidas.

O One World Trade Center, o prédio que deu lugar às Torres Gêmeas, nos guia até o Memorial do 11 de Setembro, a nossa primeira parada. Nos gigantescos espelhos d’água construídos no local onde ficavam as duas torres do World Trade Center, estão gravados os nomes das vitimas dos ataques terroristas de 1993 e de 2001. O barulho da água do poço abafa os outros sons ao redor, tornando o lugar um convite à reflexão. É impossível não ler os nomes e ficar imaginando pelo que passaram aquelas pessoas, quem eles deixaram, pensar nos familiares e amigos que choram a morte deles. É uma ferida que nunca vai se cicatrizar na mente dos americanos.

001 - One World Trade Center

002 - September 11 Memorial

003 - September 11 Memorial

Pretendíamos ir na terça-feira, quando a visitação ao museu é gratuita, mas nem sempre dá para seguir a agenda à risca e acabamos indo na quinta-feira. Eu tinha pensado seriamente em postergar a ida ao museu com medo da fila – li que ela era quilométrica -, mas quando cheguei lá, para meu espanto, não havia quase ninguém. Se havia 10 pessoas na fila, era muito.

Duas estruturas semelhantes a tridentes estão expostas logo na entrada, quando descemos pela escada-rolante. Essas estruturas estavam localizadas na base do prédio que ruiu e se irradiavam para formar o exoesqueleto prateado do WTC. Ali, naquele momento, quem, como eu, nunca havia estado de frente para o WTC, se dá conta da imponência do prédio construído para desafiar a gravidade. O WTC foi erguido em 1972 com o objetivo de atrair investimentos para a parte sul da ilha de Manhattan e, consequentemente, desenvolver a região. À época da sua construção, os números impressionavam naquela obra megalomaníaca: 50.000 pessoas trabalhavam nas dependências das torres, 200 elevadores transportavam visitantes e funcionários para cima e para baixo. O WTC foi um marco na arquitetura e o seu engenhoso sistema de elevadores permitiu que o prédio fosse mais alto do que o convencional. Para fazer com que os usuários não esperassem muito por um elevador, os elevadores não serviam a todos os andares, mas apenas a alguns. Assim, se o usuário quisesse ir até o 80º andar, deveria pegar um elevador até o 70º e, de lá, outro elevador.

004 - September 11 Memorial Museum

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Chegamos ao saguão principal.

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De lá, vamos caminhando por um corredor onde a cronologia do atentado é detalhada.

007 - September 11 Memorial Museum

008 - September 11 Memorial Museum

009 - September 11 Memorial Museum

Seguimos a rampa que vai em direção à fundação do World Trade Center. No final da rampa, temos uma vista panorâmica da base do que foi o WTC. É lá que repousa a Last Column, simbolicamente, o último pedaço de aço removido dos destroços do Ground Zero em uma cerimônia em 30 de maio de 2002. Ao lado da coluna, uma gigantesca parede que protegia das forças das águas do Rio Hudson a fundação do prédio – outro trunfo da engenharia pelo qual o WTC ficou conhecido.

010 - September 11 Memorial Museum

011 - Last Column

012 - September 11 Memorial Museum

Continuamos descendo a rampa. Várias pessoas se aglomeravam em frente a um pedaço de aço retorcido. Busco passagem no meio das pessoas e a placa me diz que aquele pedaço pertencia à Torre Norte, mais precisamente, aos andares 96 a 99, exatamente onde avião da American Airlines, que voava de Boston a Los Angeles, colidiu, comprometendo a estrutura do prédio e levando-o ao colapso.

013 - September 11 Memorial Museum

014 - September 11 Memorial Museum

015 - September 11 Memorial Museum

016 - September 11 Memorial Museum

017 - September 11 Memorial Museum

No andar mais baixo, um enorme painel com quadrados de diferentes tons de azul leva os visitantes a tentarem se lembrar da cor do céu naquele trágico dia.

018 - September 11 Memorial Museum

Passamos ao lado da Survivor’s Stair, uma escada pela qual muitos sobreviventes escaparam do WTC. Estamos bem de frente ao painel de mosaico azul, onde se lê a frase No Day Shall Erase You from the Memory of Time, uma citação do poeta romano Virgílio. Cada letra do painel foi forjada com diferentes partes de aço do WTC.

019 - September 11 Memorial Museum

020 - September 11 Memorial Museum

021 - September 11 Memorial Museum

Seguimos pelo Tribute Walk, um corredor repleto de obras de arte que retratam o 11 de Setembro. A que mais chama a minha atenção é uma enorme colcha de retalhos com a inscrição Deus Abençoe os Estados Unidos. Na colcha, podemos ver a verdadeira admiração que o povo de Nova York tem pelos bombeiros.

022 - September 11 Memorial Museum

Essa admiração é visível quando caminhamos por NY e passamos em frente de um quartel do bombeiro, cada qual com a sua singela homenagem, misto de patriotismo, misto de respeito àqueles que morreram em serviço.

023 - September 11 Memorial Museum

No final deste corredor, mais um enorme pedaço de metal retorcido. Desta vez, paro para escutar a explicação de um dos guias. Ele comenta sobre o WTC, os ataques e fala que aquele pedaço correspondia ao 93º ao 99º andar. Alguém, não satisfeito com a informação, pergunta como é possível saber de onde vinham aquelas vigas, ao que o guia responde que cada pedaço é numerado.

024 - September 11 Memorial Museum

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Seguimos junto com a correnteza de pessoas e acabamos em uma fila gigantesca para ver a exposição Rebirth At Ground Zero, um registro em time lapse da recontrução do WTC, de 2002 a 2011. Com o vídeo acelerado, nove anos passam rapidamente.

026 - September 11 Memorial Museum

A próxima parada é a exposição In Memoriam. Lá, os nomes no grande espelho d’água ganham um rosto. Lá, estão expostas as fotos daqueles que morreram no 11 de Setembro. E naquele espaço, fica mais evidente para mim o aspecto de respeito pelo local e pelas vítimas. Não é permitido tirar fotos nesse trecho.

Na parte onde antes havia a Torre Norte, há uma exposição temática sobre os atentados. Mas antes de entrarmos, os nossos olhares são atraídos para alguns artefatos que evocam a destruição do WTC: um caminhão dos bombeiros destroçado, um pedaço da antena do WTC, o motor de um dos elevadores. Paramos ali para olhar cada um daqueles objetos.

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031 - September 11 Memorial Museum

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Na exposição, que se desdobra em 3 partes, podemos acompanhar o desenrolar dos eventos que culminaram com o ataque ao coração dos Estados Unidos: há um vídeo gravado pelas câmeras de segurança do aeroporto em que mostra os terroristas embarcando calmamente, vídeos explicativos sobre a origem da Al Qaeda, gravações de ligações feitas por passageiros dos aviões e por familiares e amigos das pessoas que estavam presas nas torres. O drama é revivido a cada momento em que aquelas gravações são repetidas.

O complexo impressiona não só pelo tamanho, mas pela maneira como narra os fatos. As fotos, as gravações e os objetos exibidos ao longo do caminho emocionam. As imagens e as gravações, muitas vezes comoventes, dão dimensão ao horror daquele dia e dos que se seguiram.

E no lugar onde jazem as torres, hoje um novo prédio foi erguido: um prédio maior e mais seguro, mais moderno e brilhante, sempre nos lembrando que é possível nos recuperar de um trauma, ainda que a cicatriz esteja lá para sempre. E é justamente essa a mensagem do poeta Virgílio.

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9/11 Memorial and Museum

Entrada: US$ 24,00 (adulto). De graça às terças-feiras