08
nov
América do Norte, Bater Perna, Experimentar

Nova York além da Times Square (ou NY nível intermediário)

Nova York me inspira a visitá-la sempre. Em todas as estações. Foi a minha primeira vez no verão e apesar de que tenho lá as minhas preferências, foi uma viagem sensacional. Dessa vez, eu queria fazer atividades diferentes. Sim, um dia estava reservado para ir ao outlet, mas nos demais, a intenção era sair da rotina e ver um pouco de Nova York que transcende o roteiro da agência de turismo da esquina.  

Começamos o primeiro dia com um brunch regado a klezmer no City Winery. Klezmer é um estilo musical dos judeus do leste europeu. Se você não conhece, te convido a procurar no Youtube: cantado, instrumental, tem de tudo. Se você não gosta, bem, eu prometo que não vou te julgar. =) Naquele domingo, o palco era da banda Litvakus e eu estava muito empolgado com aquela apresentação ao vivo. Não, nunca tinha ouvido falar deles, mas era desse desconhecimento que vinha a minha empolgação. Eu não parava de pensar nas inúmeras bandas independentes que cruzaram o meu caminho e ficava imaginando se aquela seria mais uma da qual eu viraria fã. No palco, a banda encabeçada por um ruivo gordinho, que mesclava bielorrusso, iídiche e inglês com uma destreza ímpar e, de quebra, revezava no clarinete, tocava um repertório de músicas quase esquecidas e que foram ressuscitadas após um longo trabalho e muita pesquisa. A plateia era quase toda de russos e ucranianos que ali deixavam as diferenças políticas de lado, pois tinham muito em comum uns com os outros.

01 - City Winery Litvakus

Para acompanhar a música, pedimos uma tradicional panqueca de batata (latkes) com molho caseiro de maçã e rabanada de chalah, um pão trançado que é consumido no shabat e durante as festividades judaicas. O City Winery foi uma ótima pedida. Domingo é dia de brunch e klezmer, mas nos demais, há sempre uma programação diferente pronta para atender a todos os gostos musicais. O local, uma antiga gráfica, foi adaptado para comportar enormes tonéis de vinho de fabricação artesanal e um grande salão onde comida e música de qualidade são oferecidos aos clientes. Um lugar para voltar. E quanto à banda? Virei fã.

02 - City Winery

03 - City Winery

04 - City Winery

05 - City Winery

Depois dessa viagem à Europa Oriental, partimos para o Brooklyn, para visitar o mercado de pulga Williamsburg Flea. Como não amar um lugar com tantas quinquilharias? Mirei logo em um engradado de madeira de Coca-Cola, mas antes de terminar de perguntar “Quanto…”, o rapaz completou “sinto muito, já está vendido”. Droga.

06 - Williamsburg Flea Market

Perambulando por aquele espaço, me deparo com duas estátuas. “São de demolição, vieram de um banco”, me garante o rapaz que cuidava daquele espaço. E me mostra as fotos do banco antes do quebra-quebra, para comprovar a origem do produto. Pergunto o preço já sabendo que não existe excesso de bagagem que me permita levá-las comigo. Talvez o preço me faça para de sonhar com as estátuas. Não, não adiantou. Continuo pensando nas estátuas na sala da casa que ainda não tenho.

07 - Williamsburg Flea Market

Mas a feira também vive de artesanato e é possível encontrar trabalhos muito bacanas como o de um artista que faz quadros com post-it, um outro que usa madeira de construção como tela para os seus stencils. Aliás, por falar em madeira de construção, também cito o trabalho do Recycled Brooklyn. Uma pena que essas coisas não cabem na minha mala.

08 - Williamsburg Flea Market

09 - Williamsburg Flea Market

10 - Williamsburg Flea Market

11 - Williamsburg Flea Market

12 - Williamsburg Flea Market

O Brooklyn não só oferece uma vista excelente de Manhattan, mas também é um local com uma atmosfera excêntrica e moderninha, onde judeus ortodoxos caminham entre jovens com cabelos e roupas extravagantes. Eu lamento não ter tido tempo para explorar ainda mais esse bairro tão descolado e cheio de artistas e galerias, pois tenho certeza de que uma caminhada sem rumo permitiria descobrir lugares memoráveis.

13 - Manhattan skyline

14 - Manhattan skyline

15 - Manhattan skyline

16 - Brooklyn

17 - Brooklyn

18 - Brooklyn

19 - Brooklyn

20 - Brooklyn

21 - Brooklyn

22 - Brooklyn

Fizemos uma pequena parada na Juice Generation para tomar um suco natural. Em um país onde os sabores artificiais são a regra, que diferença fez tomar uma bebida preparada com suco da fruta. Fazia um calor danado na rua e nem o ar-condicionado da loja ligado no máximo me fez desistir de aplacar o calor com algo bem gelado. Pedi um Smoothie Aronia All Star: arônia + açaí + mirtilho + agave + banana + romã. Aprovado.

23 - Juice Generation Brooklyn

E como não podia deixar de ser, visitamos sinagogas. Não uma, mas duas. A primeira a ser visitada foi a Sinagoga da 5ª Avenida. A 5ª Avenida é o endereço dos ricos e milionários – logo e eu estava esperando um lugar enorme e com muita ostentação. De fato, é gigantesco, mas eu me surpreendi com a simplicidade das paredes que sustentam aquela edificação. Tudo muito sóbrio. Talvez o que mais impressiona seja a enorme rosácea de frente para a avenida que dá nome à sinagoga. O lugar conta ainda com uma modesta exibição com reproduções de pôsteres e de itens judaicos.

24 - Fifth Avenue Synagogue

25 - Fifth Avenue Synagogue

26  - Fifth Avenue Synagogue

27 - Fifth Avenue Synagogue

28 - Fifth Avenue Synagogue

A segunda foi a Central Synagogue, no Lower East Side. Esperei para visitá-la na quarta, dia da semana em que o templo oferece um passeio guiado gratuito, mas senti que era desnecessário, pois tudo o que a senhorinha disse estava no folheto disponível na entrada. Claro que nada substitui um bom guia, ainda mais se você tem perguntas, mas o que quero dizer é que talvez não seja necessário esperar para visitar o templo na quarta-feira. O prédio foi projetado em estilo mouro por um dos primeiros arquitetos judeus de Nova York. As duas torres representando o Templo de Salomão se destacam em meio aos prédios modernos na vizinhança. É uma construção bastante imponente, na minha opinião, muito mais do que a Sinagoga da 5ª Avenida, e cheia de simbolismos. Por exemplo, a sinagoga é repleta de estrelas – nas cúpulas que adornam as torres, no vitral que decora a fachada principal da sinagoga, nas paredes do interior – que representam a promessa de Deus a Abraão de que os descendentes dele seriam tão numerosos quanto as estrelas no firmamento. Ao final do passeio guiado, sentei em um dos bancos e fiquei ali algum tempo procurando mais estrelas nas paredes.

29 - Central Synagogue

30 - Central Synagogue

31 - Central Synagogue

32 - Central Synagogue

33 - Central Synagogue

34 - Central Synagogue

Era para termos visitado uma terceira, mas ela estava fechada. E pensar que tivemos o maior trabalho para encontrá-la em meio a lavanderias e mercearias chinesas. Isso porque a Kehila Kedosha Janina Synagogue fica no bairro de Chinatown, imprensada entre dois prédios maiores que ela. O templo abriga uma comunidade de judeus romaniotas, judeus que vieram da Grécia e cuja origem remonta à época em que eles eram escravos em Roma. E a quarta sinagoga, bem, o tempo não permitiu que visitássemos. Não as condições climáticas, mas a nossa agenda na cidade.

35 - Kehila Kadosha Janina

A ânsia de visitar os pontos turísticos acabava sempre por postergar os planos de fazer um piquenique no Central Park. Não dessa vez. Pegamos o metrô no Port Authority e saltamos na Estação Circle Line para uma parada estratégica no meu pequeno paraíso chamado Whole Food. Que lugar é aquele? Enchemos as nossas sacolas retornáveis com comida para 3 piqueniques: frutas, chantilly, soda italiana, iogurte, queijos. Mesmo tendo saído do hotel já esperando a chuva e mesmo ela tendo encurtado a nossa diversão no parque, foi um programão. Basta estender uma toalha no gramado e ficar observado ciclistas, turistas, todo tipo de gente que vai ao Central Park buscar um pouco de comunhão com a natureza. E tem os famosos e adoráveis esquilos que, sem cerimônia alguma, se aproximam de nós para pedir um pouquinho de seja lá o que pudermos oferecer.

Serpenteando entre a paisagem de concreto, um oásis. Pensei em usar o adjetivo tranquilo para descrever, mas o crescente número de turistas que visitam a High Line faz com que, em certos trechos, esse seja o último adjetivo que eu usaria. Sinceramente, eu ainda tenho dúvida se a caminhada no High Line é um passeio turístico ou não, mas eu acho que foge do padrão excursão. Apesar de que havia muitos que, como nós, queriam ver essa intervenção urbanística que deu certo. E pensar que tudo aquilo quase foi demolido. Porém, a pressão dos moradores fez com que o plano inicial fosse engavetado e a linha de trem abandonada fosse revitalizada para se tornar um jardim suspenso onde turistas e novaiorquinos passeiam sobre a cidade. Fizemos todo o percurso, desde a 30 até o final, na altura da 12, e andamos entre prédios de arquitetura a la Jetsons e jardins bem cuidados por funcionários zelosos. Perto do hotel dos exibicionistas (o hotel onde, se você tiver sorte, poderá ver casais sem pudor algum – o que deixa no chinelo qualquer vitrine do Bairro da Luz Vermelha, em Amsterdã), há uma praça de alimentação e, como não poderia deixar de ser, as famosas lojinhas que vendem de tudo…. sobre a High Line: camisetas, postais, ímãs, livros.

36 - High Line

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48 - High Line

Continuo sem ter ido visitar a Estátua da Liberdade e sinto que ainda tenho que voltar à cidade para conhecer esse ponto turístico. Em uma outra oportunidade, com certeza.

Williamsburg Flea Market

Quando: domingo, de 11:00 às 18:00

Como chegar: pegue a linha cinza do metrô em direção ao Brooklyn. Desça na estação Bedford Avenue e ande um pouquinho até o East River State Park.

City Winery

155 Varick Street

  • Nathanna Cavalcanti

    Programação diferente e super legal! Ótimas dicas para entrar no roteiro de viagem.

    • Thiago Magalhães

      Que bom que você gostou!