01
maio
América Central, Experiência, Fotografar

Curaçao: a Holanda colorida

Kore Poko Poko. A inscrição em papiamento que vimos em um letreiro perto da Ponte Juliana significa dirija devagar (corra pouco, pensamos, e foi um chute na trave). Acho que a frase diz muito sobre o estilo de vida na pequena ilha do Caribe. Curaçao é assim: um lugar onde o tempo tem o seu próprio tempo, onde nada parece afetar o clima de tranquilidade, nem mesmo os furacões que, vira e mexe, assolam o Caribe, mas que, por uma intervenção divina, passam longe da antiga colônia holandesa. O clima da cidade é bem descontraído e isso se percebe em todo lugar, no sorriso e na simpatia dos curaçalenhos, nas pessoas sentadas nas varandas de suas casas vendo a vida passar, nos turistas andando de bermuda e chinelo até mesmo nos restaurantes mais descolados – eu, inclusive.

Fomos passar o feriado em Curaçao. Chegamos de Bogotá em um voo da Avianca. A viagem durou o mesmo que o voo entre Brasília e Guarulhos, um voo tranquilo em uma aeronave praticamente vazia e sem crianças mal-educadas chutando a nossa poltrona, como no ida a São Paulo. Na imigração, nenhuma pergunta, nada a comprovar – o simpático oficial carimbou os nossos passaportes e nós entramos. Fácil assim.

01 - Curaçao

02 - Curaçao

03 - Avianca

Alugamos um carro e essa é a dica número um que deixamos aqui: as praias são muito distantes umas das outras e a melhor maneira de se locomover é de automóvel. É fácil dirigir na ilha, usamos uma pitada de bom senso, um pouco do mapa do iPhone e a incrível habilidade da Thaísa de se localizar em qualquer terreno. Se você se perde facilmente como eu, sugiro incluir um GPS. Porém, faço uma ressalva: uma família que conhecemos durante a nossa estada nos disse que o GPS que eles alugaram não indicava com precisão a localização do hotel deles. E, de fato, o mapa do Google não é tão bom nas rotas em Curaçao por não encontrar algumas ruelas.

04 - Curaçao

O engraçado foi que fomos avisados por mais de uma pessoa de que, por conta da Semana Santa, tudo estava fechado: lojas, supermercados, restaurantes. “Tanto faz”, pensamos, pois tínhamos ido lá para pegar um bronze, mas logo veio o desespero quando vimos os preços estratosféricos das refeições do hotel. Morro de fome, mas não pago US$ 56,00 em uma refeição de jeito nenhum! Felizmente, estávamos de carro e decidimos pegar a estrada e explorar, mesmo achando que só nos depararíamos com portas fechadas. De repente, avistamos um letreiro e não pensamos duas vezes: paramos ali mesmo no Denny’s, uma rede americana de lanchonete. Estávamos famintos e não queríamos vagar eternamente correndo o risco de não encontrar nada aberto. Fato: a fome realmente faz a comida muito mais gostosa, pois da segunda vez que fomos comer no Denny’s, o lugar já não nos apeteceu. Voltamos uma terceira vez, mas, desta vez, apenas por causa do milkshake – esse, sim, uma dádiva! Aquele milkshake de baunilha tipicamente americano feito no copo de alumínio e estupidamente gelado.  Visualizou? Depois, descobrimos que a cidade funcionava normalmente, o que significa dizer, com o limitado horário do comércio. Todas as lojas fecham às 18:00, o que deixa pouquíssimas opções para o turista fazer à noite. Segunda-feira, realmente foi feriado no sentido estrito da palavra e tudo estava fechado – tudo menos os restaurantes e o Starbucks (salve o Starbucks!) e o Denny’s. Resumo da história: o plano inicial era alugar o carro apenas por um dia, mas colocamos os custos no papel e o gasto com táxi de e para a cidade para jantar acabaria saindo o mesmo que a diária, menos a comodidade, razão pela qual renovamos o aluguel do carro. E foi uma sábia decisão.

Com o pouco tempo que tivemos, apenas visitamos as praias de Grote Knip (também conhecida como Kenepa Grandi), Kleine Knip e uma outra que terá um texto exclusivo. As duas Knip ficam na ponta norte da ilha e eu não quero nem pensar em como se chega lá de ônibus, pois não vi nenhum durante o trajeto de 30 minutos. Kleine Knip é mais intimista, havia apenas um casal, um salva-vidas, nós e a natureza. O azul cintilante das águas é algo que guardarei para sempre na memória, nunca tinha visto nada assim ao vivo. Impressiona mesmo, como uma tela de aquarela. O mar é de uma calmaria única e os peixes nem se afetam com a nossa presença, mas eu vou ficar devendo fotos aquáticas, pois ainda preciso fazer o investimento em uma máquina à prova d’água.

05 - Kleine Knip

06 - Kleine Knip

Grote Knip é um pouquinho maior, mas segue o mesmo padrão das outras praias de Curaçao: nada daquelas grandes extenções de areia, mas uma pequena baía com uma extensa faixa de água azul claro mar a dentro. Escolhemos Grote Knip após ler várias recomendações de que era uma das melhores praias. O local estava mais cheio, mas, mesmo assim, conseguimos uma mesa coberta por um telhado de palha. Mergulhamos de snorkel, tomamos sol, mergulhamos mais algumas vezes e tentamos capturar com as nossas máquinas fotográficas todos os tons de azul daquele oceano. Acho que no fundo, eu sempre suspeitei que as fotos do Caribe tinham sido alteradas em um editor de imagem. Descobri que o azul é de verdade. E descobri que gosto mais de praia do que pensava.

07 - Grote Knip

08 - Grote Knip

11 - Grote Knip

12 - Grote Knip

13 - Grote Knip

14 - Grote Knip

15 - Grote Knip

Ambas as praias são gratuitas – e falo isso, pois paga-se uma quantia módica para visitar algumas.

No último dia, tiramos para andar por Otrobanda e Punda, as duas partes da cidade de Willemstad divididas por uma ponte de pedestres móvel. A fachada das construções remete aos colonizadores, porém, com o colorido da alma caribenha e sempre ao som da salsa e merengue.

16 - Curaçao

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23 - Curaçao

24 - Curaçao

25 - Curaçao

28 - Curaçao

30 - Curaçao

31 - Curaçao

Infelizmente, todas as atrações estavam fechadas e tivemos que nos contentar com admirar os prédios do lado de fora. Até mesmo a Sinagoga Mikvé Israel-Emanuel e o Museu de Cultura e História Judaicas estavam fechados por conta do feriado. Trata-se da sinagoga mais antiga ainda em funcionamento na região das Américas e Caribe e sua história está intimamente ligada à do nosso país, pois a comunidade judaica caribenha foi formada por judeus que fugiram da inquisição aqui no Brasil, notadamente da comunidade de Recife, da qual a antiga Sinagoga Kahal Zur Israel é testemunha. Alguns judeus se estabeleceram em Curaçao e uma outra parte se refugiou nos Estados Unidos, formando uma pequena colônia em Nova York. Eu visitei uma réplica da Sinagoga Mikvé Israel-Emanuel no Museu de Israel, em Jerusalém, e a minha curiosidade estava ainda mais aguçada para ver o original do seu interior cujo chão é coberto de areia. Tanto tempo depois e o motivo pelo qual fizeram isso não é claro, dizem que seria uma maneira de evitar que um incêndio se alastrasse com facilidade. Outra teoria diz que é para lembrar os fiéis do tempo em que eles foram escravos no Egito. O caso é que eu estava doido para ver essa particularidade, mas vai ter que ficar para outra oportunidade.

32 - Synagogue Mikvé Israel-Emanuel

33 - Synagogue Mikvé Israel-Emanuel

A nossa Semana Santa foi realmente santa. Podemos dizer que estivemos no paraíso por três dias. E por ter ficado tão pouco tempo, foi mais difícil ainda embarcar de volta: a vontade era de ficar mais para aproveitar tudo com calma, descobrir os cantinhos da ilha que só quem vive lá conhece, lagartear em cada praia de mar azul da cor de uma pedra preciosa e ouvir o som do papiamento e pensar “eu entendi o que ela falou!”. Quem precisa de inglês em Curaçao?

34 - Papiamento

PS: A moeda do país é o florim, mas não se preocupe em passar em uma casa de câmbio ou sacar dinheiro no caixa eletrônico, o dólar é aceito amplamente. Apenas tenha em mente que se você pagar em dólar, o troco será na moeda local, o que dá uma ótima lembrança de viagem.

35 - 10 Florins

  • Paulo Magalhães

    Reitero os comentários sobre Curaçao, reforçando que o local é realmente abençoado por Deus. Aproveito a oportunidade para agradecer aos meus filhos Thaísa e Thiago e à minha esposa Ângela, a oportuniddade que me proporcionaram de conhecer Curaçao e adjacências, o que me levou ao execício de uma paz interior muito intensa, tão necessária no atual momento, revigorando assim a saúde física e mental para o prosseguimento da vida. Obrigado!

  • Felipe Silva

    Incrível a cor da água na praia! Adorei a foto do “cérebro” na areia!

  • Boia

    Oi, pessoal. Tudo bem? 😉

    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.

    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,

    Natalie – Boia

    • Thiago Magalhães

      Oi, Natalie. O nosso obrigado atrasado.

  • Aldine Rosa

    Curaçao, meu lugar favorito em todo o mundo. Voltaria a cada 6 meses, tranquilamente. Sou apaixonada 🙂

    • Thiago Magalhães

      Aldine, sabemos bem o motivo da sua paixão, Curaçao é realmente um paraíso. =]