25
mar
Ásia, Experiência

De Brasília a Tel Aviv

Viajei injuriado por não ter a companhia do meu iPod, que resolveu parar de funcionar dois dias antes de eu embarcar. Não parava de pensar: seria esse um agouro?

A comida do avião estava horrível. Nem a sobremesa salvou – pelo menos, o manjar estava com uma cara boa. Sentar na poltrona 12B me garantiu uma rápida saída do avião, o que, por sua vez, me garantiu uma imigração sem fila – e não necessariamente rápida. Afinal de contas, estava em Portugal.

Com cara de poucos amigos, o oficial da imigração pergunta para onde estou indo. Respondo e sou obrigado a ouvir dele que eu não estou indo a Israel. Ele pede para ver a minha passagem. Mostro a passagem e ele, sem olhar para a minha cara, fala: “Frankfurt. Conexão.” Como eu deveria saber que era essa a resposta que ele queria ouvir quando me perguntou para onde eu estava indo? Ouvi o barulho do carimbo no passaporte, mas cadê o carimbo? Folheei o meu passaporte de frente para trás e de trás para frente até achar o carimbo camuflado na primeira pagina junto com outros três. Será que estão sem dinheiro para comprar tinta? Francamente…

Lisbon Passport Stamp

Estava louco por um café decente e fui ao Starbucks, mas o meu cartão não passou. Nenhum dos três. Seria esse mais um sinal? Às vezes, sou supersticioso. Sem poder desfrutar do meu latte com torta de maçã, tive de recorrer ao McDonald’s para um cappuccino e uma “tosta mista”, uma espécie de misto quente, mas que parecia muito mais apetitosa no cardápio.

O voo de Lisboa a Frankfurt atrasou mais de duas horas, a sala de espera não tinha calefação – se tinha, estava desligada – e ainda esperei horrores dentro do ônibus com a porta aberta. O inverno em Portugal não é siberiano, mas estava frio naquele dia.

O voo de Frankfurt para Israel foi tranquilo, como não poderia deixar de ser. Esse voo tem o próprio controle de segurança, muito mais minucioso do que o raio-X comum a que todos somos submetidos. Vim sentado na poltrona do meio e quase morri de claustrofobia. Basicamente, quando comprei a minha passagem, não consegui marcar a poltrona desse trecho da viagem – parece que é coisa da Lufthansa. Tampouco consegui marcar na hora do embarque em Brasília e a atendente da TAP ainda diz que a Lufthansa havia marcado janela para mim. “Prezada Lufthansa, quem gosta da janela é a Thaísa, não o Thiago”. A funcionária da TAP tanto no Brasil como em Portugal ainda me informou que eu somente poderia trocar o assento em Frankfurt, mas é claro que todos os lugares bons (leia-se: corredor) já estavam marcados quando eu tentei mudar. Felizmente consegui trocar janela por meio. De um lado, na janela, um palestino israelense. Do outro, um israelense. O desodorante de ambos já tinha vencido há algum tempo.

IMG_5570 (1)

A imigração em Israel foi bem calma. Talvez porque estava mais cheio do que da primeira vez em que fui lá e os oficiais tinham que ser mais rápidos para dar conta da demanda. Ao invés de um interrogatório completo daqueles em que te perguntam ate o ascendente do seu signo, só tive que responder qual era o propósito da viagem e mostrar o comprovante da acomodação. Pronto. No caminho para a esteira de bagagem, comecei a folhear freneticamente o passaporte à procura do carimbo e me deparo com um cartãozinho vagabundo com a minha foto e os meus dados.

Israel Entry Stamp

Não pude crer. Pelo fato de que alguns países criam empecilhos ou até impedem a entrada de quem já pisou em Israel, o país facultava a possibilidade de carimbar em um papel avulso. Mas eu não havia solicitado isso! Hesitei em voltar com medo de ser preso, mas voltei. #caradepau

– Moço, cadê o carimbo?
– Não carimbamos mais.
– Para ninguém? (ainda incrédulo)
– Para ninguém.
– Sério?
– Sim.

Percebi que estava começando a abusar e saí dali. Ainda perguntei para uma atendente do guichê de informação e ela confirmou o meu temor. Ainda sem chão, tentando processar aquela informação e o impacto que aquela medida teria no meu passaporte – quantas viagens a mais eu teria que fazer para completá-lo? – fui até a esteira e busquei a minha mala.

Bem-vindo a Israel.

PS: Esse é um texto com apenas três fotos. Eu compensarei depois.

  • Dete Araujo

    legal gostei da informação!

    • Thiago Magalhães

      Obrigado, Dete. Vou publicar os textos sobre Israel em breve.
      Um abraço.