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jan
América do Sul, Fotografar

Puerto Natales – 6º e 7º dias na Patagônia

Miguel, um senhor argentino de seus 60 anos, nos busca pontualmente às 11 da manhã para nos levar para o Chile, e nos deixar em Puerto Natales. Um senhor simpático e solícito que carrega nossas malas para sua van, nos recepciona com muita alegria e conversa conosco durante todo o trecho da viagem, explicando cada detalhe da fauna e flora, e das crenças populares argentinas. Com ele aprendemos que as casinhas vermelhas que vemos pelas estradas são homenagens a Gauchito Gil, um gaúcho que morreu de inanição na estrada, e hoje protege os motoristas, especialmente caminhoneiros e motoristas de ônibus. Ele explicou outra crença que não entendi muito bem e não sei se mesclei com fragmentos de sonhos enquanto dormia. Tinha a ver com uma senhora que sobreviveu sendo “amamentada” pela mãe que estava morta, ao lado dela. Achei meio Stephen King e voltei a atenção ao meu Ipod.

Gauchito Gill

A viagem de El Calafate é longa, mas passa rápido, e paramos uma vez na estrada para atender a um chamado coletivo da natureza e algumas vezes para fotografar, até chegarmos na saída Argentina, onde descemos para entregar todas as frutas que temos conosco e carimbarmos nossos passaportes. Até pensamos em esconder uma ou outra maçã, mas imaginamos que isso pudesse gerar alguma multa para o próprio Miguel, que nos alertou sobre o fato desde o momento que nos pegou no hotel.

A vista durante todo o trecho argentino é muito similar a um cenário desértico, e a explicação é simples: venta muito, é seco e nenhuma plantação vinga no solo que um dia foi gelo. Somente calafates, a frutinha da região. Mas no Chile, segundo Miguel, é diferente, por conta da proximidade com o mar. Puerto Natales é banhada pelo Pacífico, em um enorme fiorde que se forma na avenida costanera, no centro da cidade.

Nossa parada no lado argentino é rápida, e peço gentilmente que o meu carimbo seja dado na mesma folha do carimbo de entrada porque estou economizando espaço. Alguns metros depois chegamos ao lado chileno, e tenho a ingrata surpresa de descobrir que na nossa frente há um ônibus de turistas de El Calafate, mesmo tendo a confirmação de todos da cidade e das principais companhias de ônibus que no dia 25 ninguém trabalharia, e por isso estávamos com Miguel, que nos cobrava 390 dólares pela viagem.

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Na fronteira também não temos problema e logo nosso passaporte é carimbado e nosso carro vistoriado por um labrador que depois brinca conosco e tira fotos. O policial descobre que somos brasileiros e nos conta de todas as vezes que esteve no Brasil e que já sabe falar português.

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Como Miguel nos havia dito, o lado chileno é realmente diferente. Basta uma cancela para vermos que o país é mais verde e florido, cercado de montanhas branquinhas no topo.

Puerto Natales Puerto Natales Puerto Natales

Chegamos ao hotel Weskar Lodge, distante uns 2 kms do centro da cidade, mas com uma vista muito bonita para a baía de Puerto Natales. Arriscamos uma saída no vento, eu vestida com lenços na cabeça parecendo uma cigana e meu irmão pronto para encarar uma nevasca daquelas. Era feriado, e encontramos a cidade deserta e com todas as lojas fechadas. Não havia muito o que fazer senão sentarmos em um restaurante – no caso o do Hotel Indigo – e ver o dia passar. Nossos passeios seriam feitos apenas dois dias depois, logo cedo, organizado pelo próprio hotel Weskar, já que no dia que chegamos na cidade tudo estava fechado e não tínhamos como marcar nada para o dia seguinte.

Puerto Natales_hotel Indigo

Puerto Natales_Weskar Lodge

Tudo que fizemos durante nossa estada forçada na cidade foi conhecer restaurantes e perambular pelas ruazinhas desertas. Não foi de todo ruim: foi aqui que tomei o melhor espresso da viagem, no simpático café Patagonia Dulce, onde basicamente passamos a tarde. As comidinhas daqui são muito boas, especialmente o alfajor de amêndoa e o chocolate quente de três chocolates.

Puerto Natales_Patagonia Dulce

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Depois descobrimos um lugar muito legal chamado Encuentro Gourmet, cuja dona, Amanda, uma francesa moradora de Puerto Natales, organiza almoços e jantares típicos da Patagônia combinados com aula de culinária para grupos de até 8 pessoas.

Puerto Natales_Encuentro Gourmet Puerto Natales_Encuentro Gourmet Puerto Natales_Encuentro Gourmet Puerto Natales_Encuentro Gourmet Puerto Natales_Encuentro Gourmet

Nossa andança por Puerto Natales nos rendeu a companhia de um cachorro de rua que só nos largou depois de uma hora e algumas fotos interessantes da cidade que me pareceu ser só um ponto de partida para os aventureiros que buscam Torres del Paine.

Puerto Natales

Puerto Natales

Puerto NatalesPuerto Natales Puerto Natales

Este é o fiorde de Puerto Natales, que ao final do dia fica desse jeito:

Puerto Natales

  • Tudo incrível, especialmente os cachorrinhos fofos roubando a cena!

    • Janela ou Corredor

      Obrigada! 🙂
      Dá vontade de levá-los pra casa. Quanto mais vira-lata, mais fofo! 🙂

    • Thaísa

      Obrigada! 🙂 Dá vontade de levá-los pra casa. Quanto mais vira-lata, mais fofo! 🙂

  • Diego Albuquerque

    Você recomendam o hotel onde ficaram ?

    • Thaísa

      Diego, recomendo mais ou menos. Em Puerto Natales, recomendo o Indigo.