06
jan
América do Sul, Fotografar

10 dias na Patagônia – dias 2 e 3

Saímos do Faena às 02h30 da manhã, hora que o transfer do Alejandro chegou para nos buscar. Teoricamente com tempo hábil para fazer o despacho das bagagens e ainda dormir, tivemos que esperar mais 1 hora na fila com a possibilidade de atraso de 2 horas e meia, o que no meio da madrugada é bastante significativo.

Enfrentamos toda a fila, mesmo com bilhete e malas etiquetadas, e o atendente nos informou que bastava que fôssemos ao guichê da Aerolíneas para despachar as malas porque, realmente isto é muito lógico, já que voávamos de LAN. No final das contas o voo atrasou 30 minutos. Mas todo minuto é muito quando se espera de madrugada, sem banho e com sono. De novo: o aeroporto não tem nada, especialmente de madrugada, e tudo que restou foi encontrar um café bem simples, onde comemos medialunas com cortado.

Argentina_Dia 02_Buenos Aires

Aeroparque

Argentina_Dia 02_Buenos Aires

Argentina_Dia 02_Buenos Aires

Dormi o vôo inteiro, que totaliza umas 4 horas. Nem sei como se parecia o lanche servido. Acordei sobrevoando lagos azuis e uma paisagem de deserto, com montanhas com neve no topo ao fundo. Por 20 minutos, enquanto o avião voava baixo, não via nenhum sinal de civilização, até, de repente, surgir uma pista de pouso no meio do nada. O aeroporto é surpreendente, e tem até finger, com serviços eficientes. Em 10 minutos pegamos nossas malas e seguimos para mais um raio x.

Argentina_Dia 02_El Calafate

Argentina_Dia 02_El Calafate

Argentina_Dia 02_El Calafate

Argentina_Dia 02_El Calafate

Argentina_Dia 02_El Calafate

Argentina_Dia 02_El Calafate

Contratamos um serviço de van que já nos esperava com uma plaquinha e pagamos 70 pesos em dinheiro, por pessoa, para nos deixarem no nosso hotel. Um preço maior que o normal, 60, já que nosso hotel era um pouco mais distante dos demais.

Argentina_Dia 02_El Calafate

Argentina_Dia 02_El Calafate

O aeroporto fica a 24 km de distância da cidade, e chegar em El Calafate, ou pelo menos na região do nosso hotel, era como chegar no cenário de Era uma Vez no Oeste, e esperar para encontrar Claudia Cardinale e Charles Bronson a qualquer momento. Mas o hotel era um espetáculo, um oásis em meio a tanta terra avermelhada, e fazia jus ao nome – Design Suites – com modernas instalações e decoração impecável, remetendo aos pampas argentinos com madeira de demolição, couro, peles e um toque moderno em todos os lugares. Mas o quarto só estaria disponível às 15h00, e nossos relógios já atualizados com o horário local marcavam 10h00. O máximo que conseguimos fazer foi fazer um upgrade para os quartos com vista para o lago nas três primeiras noites, mas mesmo assim só estariam prontos depois das 15hs, quando já completássemos 24 horas de viagem. Tomamos um café e descemos para a piscina aquecida, onde nos deitamos nas espreguiçadeiras para dormir e fazer com que o tempo passasse mais rápido, mas a cada soneca somente 30 minutos se passavam. Dormi até babar e formar um torcicolo por ter usado uma toalha enrolada como travesseiro, e acordei suada por conta do calor da piscina aquecida, como se tivesse dormido sob um telhado de Eternit no interior do Piauí.

Argentina_Dia 02_El Calafate

Argentina_Dia 02_El Calafate

Argentina_Dia 02_El Calafate

Argentina_Dia 02_El Calafate

Argentina_Dia 02_El Calafate

Argentina_Dia 02_El Calafate

O tempo custou a passar, mas a recompensa foi boa. Um quarto com vista para o Lago Argentino, limpo e com amplo banheiro também com vista para o lago e para o quarto, ideal para quem está viajando em casal, e não entre irmãos como era o meu caso.

Argentina_Dia 02_El Calafate

Argentina_Dia 02_El Calafate

Argentina_Dia 02_El Calafate Argentina_Dia 02_El Calafate Argentina_Dia 02_El Calafate

Depois que arrumo tudo e tomo um banho, resolvo sair para uma caminhada pela cidade. A caminho do centro paro para um cafezinho na María Brownies e Algo Más e sigo caminhada para aproveitar que estou na cidade e fechar alguns passeios para os próximos dias. O centro da cidade tem um pouco de tudo, com muita vida e agito. O supermercado La Anonima, uma igreja, um posto policial daqueles que ainda tem xerife, ao lado do posto de gasolina onde carros fazem uma longa fila e uma cidade feita para o turismo de aventura, com uma diversidade de lojinhas de roupas para esporte radical e operadoras de turismo. Aproveito que estou na cidade e agendo um passeio para dois dias depois no Glaciar Perito Moreno, o único com a melhor conversão de dólar por peso argentino: 1 para 10, na Hielo y Aventura. O passeio de um dia inteiro sem a entrada no Parque Nacional Los Glaciares saiu por 800 pesos (80 dólares) por pessoa, mas não conseguimos reservar nenhum outro passeio porque a internet e as linhas de telefone haviam caído nesse dia, e El Calafate estava ilhada sem conexão para cartão de crédito.

Argentina_Dia 02_El Calafate

Argentina_Dia 02_El Calafate

Argentina_Dia 02_El Calafate

Argentina_Dia 02_El Calafate

Argentina_Dia 02_El Calafate

Ainda passeando pela cidade, tomo um delicioso chocolate quente em um café simpático no centrinho da cidade, próximo a um mini shopping de artesanato, chamado Borges y Alvarez Libro Bar. Um lugar muito bacana e que recomendamos para uma parada na cidade.

Argentina_Dia 02_El Calafate

Argentina_Dia 02_El Calafate

Argentina_Dia 02_El Calafate

Argentina_Dia 02_El Calafate

Argentina_Dia 02_El Calafate Argentina_Dia 02_El Calafate

Argentina_Dia 02_El Calafate Argentina_Dia 02_El CalafateArgentina_Dia 02_El Calafate

E no final do dia conheci um casal muito simpático, ele venezuelano, ela colombiana que viaja pela América do Sul em uma kombi laranja com um cachorro. Eles fazem parte do projeto Alimentando Corazones, onde ambos largaram o mundo convencional de trabalho para conhecer o mundo além das fronteiras de seus cubículos de trabalho. Por onde passam ajudam as crianças carentes da região, doando comida, brinquedos e amor. Eles já estão na estrada há 8 meses e visitaram o Brasil ano passado. Um projeto corajoso e inspirador. Não é demais?

Argentina_Dia 02_El Calafate

No dia seguinte não tínhamos nenhuma programação de passeios, já que todas as operadoras de turismo estavam impossibilitadas de vender qualquer full day tour. Pensamos em visitar El Chaltén, mas até às 21h00 não tínhamos como confirmar a possibilidade do passeio para o dia seguinte. Então a nós coube passear na cidade, comprar roupas e sapatos adequados para trekking no gelo e esperar o dia passar.

Saímos tarde do hotel pela Avenida Costanera, o caminho que nos recomendaram fazer onde a vista do Lago Argentino era mais bonita. E eu me vesti adequadamente para esse tipo de passeio: calça jeans, cabelos desembaraçados presos em um coque alto e sapatilha, que foi jogada fora assim que voltei ao hotel. Descemos uma pequena trilha feita de areia, totalmente inapropriada para os meus calçados (e vice-versa) e caminhamos pela Costanera e pela Laguna Nimez, cruzando a cidade por um caminho que ainda não conhecíamos até chegar na Av. Libertador, a principal da cidade. Seguimos para a Viva Patagonia! para fechar o passeio de El Chaltén no nosso último dia de El Calafate, um passeio de um dia inteiro, onde pudemos pagar com cartão a 890 pesos por pessoa, incluindo com alimentação.

Argentina_Dia 03_El Calafate e caminhada na cidade (6) Argentina_Dia 03_El Calafate e caminhada na cidade (8) Argentina_Dia 03_El Calafate e caminhada na cidade (14) Argentina_Dia 03_El Calafate e caminhada na cidade (28) Argentina_Dia 03_El Calafate e caminhada na cidade (31)

  • Paulo da Silva Magalhães

    Um belo passeio. O relato descontraído e simples das diversas etapas da viagem dá uma real dimensão do pleno aproveitamento do passeio. Parabéns!

  • Renatha Ribeiro

    Sempre me encanto com os relatos publicados aqui.
    A palavra é essa mesmo, porque sempre esboço um leve sorriso, ao correr a “trama”. Me envolvo, como se estivesse na história. Vocês escrevem de forma leve e com uma característica tão própria …
    Já tive a feliz oportunidade de viajar com à Thaísa, e por isso tenho propriedade para afirmar que ela “tem pegada” para essa prática prazerosa, que não é fácil, porque o tom está na alma … viajar pura e simplesmente, qualquer um faz.

  • Diego Albuquerque

    Pessoal, muito legal o site e os posts de vocês. Estou querendo ir com minha esposa, se tudo der certo, agora em março. Vocês foram quando ?

    Vi que vocês são de Brasilia também 😀

    vocês deixaram pra comprar botas de trekking e tudo mais lá ? Acharam melhor em preço ?

    Tou lendo o segundo e terceiro dia e vou ler é tudo, já que o período seria bem parecido. 10 dias. 😀 😀

    Abs e parabéns.

    • Janela ou Corredor

      Oi Diego! Que bom que gostou do blog! Valeu mesmo!

      Sobre roupa de trekking, não comprei nada lá porque já tinha algumas coisas aqui, mas se você não tem (em Brasília é bem difícil de achar Columbia e North Face) vale a pena comprar lá.

      Abraço!

  • Eduardo Barros Leal

    Em setembro/14 irei a Santiago, Valle Nevado e Valparaiso, mas pretendo em 2015 ir a Ushuaia e El Calafate, se for em setembro/15 dá para visitar o Perito Moreno, com o mini trecking ? o clima permite esta caminhada ?

    • Oi Eduardo!
      Acho que setembro ainda é muito frio para ir para a Patagônia. Eu sugiro a partir de novembro.
      Boa viagem!

    • Janela ou Corredor

      Oi Eduardo! Acho que setembro ainda é muito frio para ir para a Patagônia. Eu sugiro a partir de novembro. Boa viagem!