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mar
América do Sul, Experimentar, Fotografar

Bolívia, a Islândia da América do Sul

Esqueça os seus preconceitos e prepare-se para se surpreender: a Bolívia provavelmente será uma das melhores viagens da sua vida. Acredite. A paisagem muda num piscar de olhos e você vai passar por vulcões, desertos, gêiseres, lagoas de cores impressionantes. Tudo em um dia só. A natureza realmente caprichou por lá.

Eu fui um dos que torceram o nariz quando a minha irmã anunciou o destino da viagem dela. Bolívia?!?! Mas foi só ela me mostrar as fotos da viagem e eu decidi para onde iria nas minhas próximas férias. Ela foi em dezembro. Eu fui em fevereiro.

Eu e a minha amiga fomos por Santa Cruz de la Sierra em um vôo da Gol que fez Brasília, Curitiba, Campo Grande e Santa Cruz. A vantagem de ir por Santa Cruz é que você vai se acostumando aos poucos com a altitude. Quem chega direto a La Paz sofre muito com os sintomas da altitude – dor de cabeça e falta de ar. O voo chegou de madrugada (1:20) e na manhã seguinte, pegamos um avião da Aerosur rumo a Sucre (10:00), mas isso era na época em que a Aerosur operava, agora que eles faliram, parece que a única opção é a TAM deles (Transporte Aereo Militar). Passamos a noite no aeroporto mesmo – é aconselhável levar um baralho, IPOD, etc. Qualquer coisa para te ajudar a passar o tempo até que o sono venha. Se você preferir o conforto da cama a uma cadeira de lanchonete, o aeroporto oferece uma espécie de hotel para quem quer dormir algumas horas. É uma cabine com cama e TV. Você paga por hora. Não me lembro do preço, mas me lembro que achei meio caro para os padrões bolivianos, apesar de que parece que dá para pechinchar. E me pareceu limpo. A viagem de avião durou 30 minutos. Ouvi dizer que a viagem de ônibus dura 10 horas, mas as estradas são péssimas e costumam ficar interditadas. Não sei dizer se esse ônibus tem banheiro. Sim, alguns ônibus NÃO têm banheiro. Saquei dinheiro nos terminais do aeroporto – 2000 bolivianos. Mesmo com a taxa que o cartão de crédito cobra, sai mais barato do que fazer câmbio (aliás, essa é uma regra: nunca compre dinheiro no Brasil, as taxas nunca são favoráveis, leve apenas um pouco de alguma moeda de troca fácil para caso aconteça algum imprevisto).

No aeroporto, entre muitos turistas e nativos, um pessoal chamou a nossa atenção. Eles, de macacão e camisa xadrez, elas, de vestido comprido e chapéu. Eram menonitas. Você vai reconhecê-los logo de cara ao se deparar com eles, pois em um país com noventa por cento da população formada por indígenas e mestiços, um branquelo sempre vai se destacar na multidão. Os menonitas pertencem a um ramo do cristianismo protestante e começaram a chegar à Bolívia em 1950 vindos do Paraguai. Eles vivem reclusos e não se misturam com a população local a não ser para fazer comércio. Como os amish nos Estados Unidos. No mínimo, curioso.

Menonitas

Aeromoças Aerosur

Vista aérea

Sucre foi a capital da Bolívia por 62 anos, até que o declínio do comércio de prata em Potosí fez com que a capital fosse transferida para La Paz. Hoje, Sucre é apenas e a capital constitucional do país. É uma cidade muito bonita e conservada, que conseguiu preservar muito do seu aspecto colonial. Você vai reconhecer muito da arquitetura e do planejamento espanhóis do traçado das ruas – assim como em Buenos Aires, ruas retas formando um imenso tabuleiro. Essa era a grande diferença entre a colonização espanhola e portuguesa. Ao passo que os espanhóis vieram para a América com a intenção de ficar (e por isso, pode-se realmente falar em planejamento das cidades), os portugueses iam construindo à medida que iam ocupando a terra, daí a irregularidade das cidades brasileiras.

Universidad Andina

Arquitetura Sucre

Catedral Metropolitana de Sucre

Catedral Metropolitana de Sucre2

Catedral Metropolitana de Sucre3

Sucre

Mercado Central Sucre

Três dias são suficientes para conhecer. Por recomendação da minha irmã, ficamos hospedados no B&B Casa Verde – excelente localização e o dono sabe receber muito bem.

A partir de Sucre, tem uma viagem de meio dia a uma cidadezinha chamada Tarabuco. Lá você vai encontrar bastante artesanato, muitos indígenas e um mercado onde os locais vendem folha de coca. Eu achei que o passeio vale a pena. Não vá de excursão, pergunte pelo local de onde saem as vans – 8 bolivianos cada trecho. É possível que tentem pedir mais de você por você ser gringo, negocie sempre. A viagem de uma hora e meia é bem bonita, a van passa por vales verdejantes e ao menor aceno de um transeunte, encosta para acomodar mais um passageiro.

Rumo a Tarabuco

Van

Tarabuco

Tarabuco2

Chola

Mercado

Fruta de cacto

Folha de coca

Da rodoviária, pegamos um ônibus para Uyuni. Teoricamente, ele sai às 09:00, mas você vai aprender que não existe horário na Bolívia. Só há um horário de ônibus direto. Se você quiser ter mais flexibilidade e mais opções de horário, é possível pegar um ônibus para Potosí e, de lá, um para Uyuni. Este ônibus “direto” não tem banheiro. Depois de Potosí, o motorista vai parar no meio da estrada e gritar “baño”. É a sua deixa, ali mesmo, no meio do mato. Você economizou a moedinha do banheiro. Tem gente que para em Potosí para visitar as minas de prata. Pelo que eu vi da cidade quando passei por ela, achei dispensável. Se você tiver pouco tempo, eu recomendo Sucre e a opção de três dias de passeio no Salar. Ah, se possível, compre a passagem de ônibus com antecedência e peça pelos assentos de 1 a 4 – são mais espaçosos e você pode levar a sua mochila consigo. Foi o que fizemos.

Rumo a Uyuni

Rumo a Uyuni (2)

Chegando a Uyuni, você vai ser abordado por um monte de agentes de turismo tentando te vender passeio. Eu já fui com o passeio fechado. Como a minha irmã tinha ido antes, eu já tinha o contato da agência. Só não recomendo para ninguém, pois eles são muito enrolados. Tudo deu certo, mas eles nos passaram muita raiva por causa da desorganização. A única coisa que você precisa saber é quanto pagar pelo passeio. Mais do que 800 bolivianos (cerca de 200 reais) pelo passeio de 3 dias e você está sendo roubado. Tente negociar 700, pois você ainda precisará pagar 150 bolivianos para entrar no Parque Nacional Eduardo Avaroa. Esse preço inclui três dias de passeio com hospedagem em umas vilas e refeição. Não espere luxo nem conforto. Você sai de Uyuni às 11:00 do dia seguinte e chega dois dias depois por volta das 17:00. Há várias opções de hotéis na cidade. É bom levar Pringles e chocolate durante o passeio. Pringles você pode comprar lá mesmo. Eu recomendo levar chocolate do Brasil, pois vi muito chocolate velho lá. Esses são alimentos que te ajudam a não passar mal por causa da altura. Você também pode apelar para as famosas pílulas de sorochi que ajudam a amenizar o efeito da altitude. Ou para a folha de coca.

Uyuni

A primeira parada do passeio é em um cemitério de trens – um triste sinal de um passado glorioso. Com um território com tanta riqueza, a Bolívia já foi um país próspero, mas hoje é um dos mais pobres do mundo.

Cemitério de Trem

Antes de chegar ao Salar, ainda passamos por uma pequena vila que vive de artesanato de sal. Alguns minutos depois, nos deparamos com aquele imenso espelho d’água. Na época da chuva, terra e céu se confundem em uma paisagem espetacular e única.

Salar1

Salar2

Salar3

Sal

Se estiver chovendo, o salar fica como você viu nas fotos. Eu acho mais bonito do que quando está seco, mas tenha em mente que, quando o salar está coberto de água, você não pode visitar a Ilha do Pescado, um oásis de cactos no meio do deserto.

O passeio é repleto de paisagens surreais, uma surpresa atrás da outra.

Jipe

Paisagem

Paisagem2

Paisagem3

Yareta

Fauna - lobo

Fauna - Flamingo

Paisagem5

Lagoa Colorada

Geiser

Vulcão Licancabur

Licancabur e Lagoa Azul

  • Achei incrível a diferença entre a sua foto do salar e da foto do post da sua irmã.
    As duas épocas são legais mas eu particularmente gostaria de ver o salar alagado. Quando é a época de chuvas por la?

    • Thiago Magalhães

      Oi, Fernanda! Realmente, é outro mundo, outra paisagem, outra experiência. A temporada de chuva vai de janeiro a abril.
      Um grande abraço!